Engenheiro florestal do Estuário do Rio Amazonas

Onde estão os novos espaços de resistência? Quais e como se dão as novas formas de resistência e de luta? Essas são perguntas que, continuamente, interpelam o corpo e a imaginação de ativistas (esses seres da ação e da insistência), que sempre se impõem a tarefa de encontrar alternativas, táticas, abordagens e modos de viver mais capazes de realizar as transformações que tanto pretendem e que dão sentido à sua existência. Essas são as inquietações permanentes que animam o devir-ativista – e que atravessam a luta concreta de gente tão diversa como Amália Garcez, Carlos Augusto Ramos, Léo DCO, Sarah Marques e Tipuici Manoki, cujos depoimentos compõem as páginas seguintes, e Luciana Ferreira, em comentário-síntese ao fim desta seção.

TRAJETÓRIA

Sou engenheiro florestal, nascido em Portel, na mesorregião do Marajó, registrado em Belém (PA), mas criado nas matas do Jari, divisa entre o Pará e o Amapá. Juntando todas essas regiões, posso dizer que sou do Estuário do Rio Amazonas. Isso diz muito da minha ideia de floresta. Portel ainda é um dos municípios mais madeireiros da Amazônia. Belém tem a relação urbana e periurbana; e o Jari, o maior plantio de eucalipto da região Norte. Ou seja, estão presentes a floresta, a anti-floresta (digamos assim, porque um plantio de eucalipto é uma floresta artificial) e, também, pela minha infância viajando para Breves, o extrativismo do ribeiro e da ribeira, que é a origem da minha mãe. Desde criança trago a visão do que é a floresta e suas contradições.

TEIMOSIA

Ontem eu recebi a notícia de que minha dissertação de mestrado está finalmente na biblioteca da UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia), onde devia ter estado há 20 anos. Fiz o mestrado em 2000, fui aprovado, mas, pela minha teimosia, eu me neguei a entregar um artigo. Eu me matei para fazer a dissertação e não admitia que um artigo me impedisse de ter o título. Eu teimei, e essa teimosia se arrastou por anos e anos. Foi polêmica minha defesa: enquanto um professor me deu nota 10, outro queria me reprovar “porque eu enfrentei a banca” (a fala da época). A discussão durou mais de duas horas e foi tumultuada. Gerou um certo trauma em mim. Sentia que o próprio sistema acadêmico nos oprimia. Enquanto isso eu vivia a minha vida de ativista: fui trabalhar na organização não-governamental FASE, no Marajó, sem usar jamais o termo “mestre”, porque eu não me julgava merecedor se eu não tivesse o diploma. Em 2018, minha filha, minha esposa e amigos me convenceram de enviar o artigo: “envie, porque você vai poder ajudar a formar pessoas dentro da academia” – e isso bateu num ponto fraco meu, a juventude amazônida. Estou recebendo finalmente o diploma. Mas foi uma batalha pela minha ideia de educação popular da floresta e não de educação da academia. Uma coisa não impedia a outra, eu sei. Mas eu não queria ter aquelas amarras, eu queria sair a campo e fazer o que eu fiz. Hoje estou tranquilo para escrever artigos com base na minha vivência, com a minha visão de mundo, pronto a repassar o que eu vi e os ciclos que eu já vivenciei.

BALIZAS

A pesquisadora Ana Euler e eu escrevemos um artigo sobre o resultado de uma das etapas do projeto Bem Diverso, executado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O resultado foi uma análise do uso da terra, do uso da floresta, em 35 anos de luta no município de Afuá, um dos 16 municípios do Marajó – o que me ajuda muito a pensar sobre onde estão os novos espaços e as novas formas de resistência. Vou dar esse exemplo porque vai nos ajudar a raciocinar. Em 1984, cria-se o Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Afuá. O lema era lutar pela terra. Havia muita gente expulsa, muita ameaça dos coronéis. O pessoal se juntou e fez um trabalho de base muito bom. Neste artigo – “A quarta baliza do agroextrativismo”—, definimos na linha do tempo que o primeiro marco ou a primeira baliza no caso de Afuá seria a criação do sindicato e o assassinato de uma liderança chamada Bira, triste evento que mobilizou e organizou as pessoas para a criação da entidade. Em 2007, nós identificamos a segunda baliza: a criação dos assentamentos agroextrativistas de Afuá, uma permanência daquela luta que começou em 1984 e que teve fundamentais lideranças para esse resultado como Erivelton Miranda – que nos deixou recentemente –, Manoel de Nazaré, Maria Oleide, Manoel Maria, Zé Maria, Dona Verônica, José Amorim, Vitoriano, Vanda e muitas outras. Eu entro nessa história em 2000, com muita luta, muita mobilização, muita sensibilização dos profissionais do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) à época.

“MONSTROS!”

A terceira baliza é 2019. É o momento da supremacia do agroextrativismo. Até então, porque eu costumo verificar os números do ordenamento territorial no Marajó, eu não tinha certeza de quanto era a reforma agrária que havia sido conquistada em Afuá. Não havia tecnologia. Afuá tem uma baía no meio, mas eu não sabia o quanto de água tinha o município. Foi quando surge o MapBiomas (1), plataforma de mapeamento dos recursos naturais no Brasil, que mostra também os corpos hídricos. Cerca de 30% do município é água, o restante é área habitável. Então fomos para a soma da reforma agrária: 95% das áreas habitadas de Afuá são assentamentos agroextrativistas! Foi um espanto. Apresentamos a descoberta para Afuá. Tenho muita vontade de falar sobre isso e até hoje me surpreendo. A juventude então olhou para o pessoal de 70 anos, que fez a luta em 1984, e disse: “Vocês foram monstros! Você são lenda!”. Agora temos os números dessa lenda. Você veja outros municípios: Gurupá, com 91%, e São Sebastião da Boa Vista, com 96% de assentamentos agroextrativistas.

Só que havia outra questão que a gente precisava responder, pergunta que eu me fazia quando andava por lá e via o pessoal ter placa solar nas casas, ter internet, ter não uma simples canoa, mas uma rabeta, uma voadeira, uma casa digna, casas aliás muito melhores do que casas de Belém. O que aconteceu? Nós fizemos um diagnóstico numa ilha chamada Ilha do Meio. Entrevistamos 30% dos moradores, dentre 470 famílias, e vimos uma situação que confirma uma frase de um amigo, Jorge Pinto: “Afuá e Gurupá conseguiram domar o capitalismo”. Mas era uma impressão dele, ele não tinha números. Nós chegamos à conclusão que a renda per capita proveniente do açaí nessa ilha por mês era de 446 reais. Isso é bom ou ruim? Comparamos com o investimento federal por habitante em Afuá, que era de 135 reais/mês. O açaí colocava três vezes mais. Jorge Pinto estava certo. Ao contrário de Portel e Melgaço, em que a situação é paupérrima, em Afuá as pessoas passaram a ter uma situação de dignidade, digamos assim, mesmo com todas as carências em políticas públicas. Enquanto isso, naquelas cidades, Portel e Melgaço, a atividade madeireira expropria o recurso natural, ela realmente é predatória – e quando o recurso é das famílias, da comunidade, quando ele é mais horizontal, você vê a circulação da riqueza mais presente entre as pessoas. Isso me faz lembrar da quarta baliza: o limiar do Bem-Viver. Ou seja, a capacidade dos direitos territoriais e de uso da terra de trazer junto os direitos universais que nos são tirados, por exemplo, educação, saúde, saneamento básico. Se você pega o orçamento geral da União, há 0,02% do investimento do Brasil em saneamento básico, um absurdo – e você observa o pessoal tendo, com a riqueza do açaí, a possibilidade de tentar diminuir esse atraso num item essencial da vida. Mas é um processo de 35 anos de luta de um município inteiro em sua zona rural. É importante você trabalhar com a comunidade e ela perceber que dá para pegar o recurso do açaí e aplicar em tecnologia de comunicação, em internet, no banheiro, na ponte da escola, na alimentação básica para o aluno merendar e poder se transformar em cidadão etc. Hoje o Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais continua forte e mantém uma estrutura de 90 delegados sindicais (que deveria existir em todo sindicato, mas da qual muitos abrem mão) atuando em Afuá. São 90 lideranças que circulam pelo município e discutem políticas públicas pelo sindicato. Geralmente essa ideia de colegiado se perde nos municípios, ainda mais em comunidades tradicionais. Quem faz isso de ir a todos os cantos é a igreja, a educação, mas organização social é muito raro. Os delegados andando pelo município, se informando, fazendo os esclarecimentos, metodologicamente, fazem toda a diferença: não deixa, por exemplo, que pastores neopentecostais e suas muitas atitudes que distorcem até mesmo a Bíblia ganhem força, pois o sindicato está ali presente para fazer o contraponto. Já em Portel, os pastores de má fé ganharam muita força e a situação é mais complicada de enfrentar. Gurupá e Afuá conseguiram fazer bem seu dever de casa.

SOBERANIA

Isso faz pensar nos novos espaços. Um novo espaço é o da juventude conectada – mas com soberania de comunicação (do mesmo modo como falamos, para além da “segurança” alimentar, de soberania alimentar). É você trazer as pessoas, para elas não serem mais invisíveis, para elas poderem falar o que elas pensam e da sua vida, mas, como diz o Chico Science, com “a antena fincada na lama” (2). A juventude florestal cada vez mais vai tomar consciência disso. Como sou uma pessoa de meia-idade – não estou na casa dos 60 nem na casa dos vinte-e-poucos –, minha posição é de transição, meu lugar de fala é da transição de gerações. E eu preciso pensar em como ajudar a nova geração a ter esse espaço comunicacional. Como esse espaço pode evitar, por exemplo, a venda de crédito de carbono sem o conhecimento das comunidades? Isso está acontecendo em Breves (tem até uma ação na Justiça) e em Portel: a comunidade da Gleba Jonas Peres 2 já se rebelou contra aqueles que foram fazer Cadastro Ambiental Rural (CAR) para doar terra, sendo que já moram no assentamento, e depois se descobriu que era para especular em cima de crédito de carbono, sobre as cotas de reserva ambiental. Se essas pessoas não têm internet e comunicação como direito, elas vão ficar às cegas, elas não vão poder enxergar o que está acontecendo. O teste maior foi o próprio Cadastro Ambiental Rural, que considero que não foi uma política pública, mas uma política de desigualdade da regularidade ambiental: quem tinha internet e conhecimento, quem tinha grana, fez; quem não tinha, nem soube e hoje tem muita dificuldade de realizar seu registro. E mesmo que tenha sido feito de maneira institucional, como no caso dos assentamentos do Incra, que têm um CAR coletivo, há casos de gerentes de banco que não aceitam o CAR coletivo porque acham que precisa um CAR individual. Nós fizemos o Banco da Amazônia se posicionar, mas a prática dos gerentes das agências é de não aceitar, e isso divide a comunidade. Os novos espaços passam pela inclusão digital para que se possa explicar para a opinião pública o valor dos territórios dos povos da floresta. Uma amiga, adepta de Paulo Freire, questiona a tecnologia da educação à distância, pois afirma que as pessoas têm de estar próximas. Por outro lado, você não tem como evitar a comunicação online. Se a gente não fizer a ocupação desse espaço, prevalecerão aqueles que espalham fake news e novas formas de colonização. Os jovens precisam aprender como se posicionar. É uma versão 2.0 da “antena fincada na lama”. O Chico Science disse isso nos anos 1990; agora tem de criar um novo lema: “o wi-fi andando de rabeta”, para as pessoas poderem dizer “estou aqui, eu vivo do açaí, ele é um produto que alimenta”. Isso tem de chegar até em quem está na Europa, pois você não pode especular com o açaí, o açaí é alimento. Não posso transformar o açaí numa commoditie como o arroz. Neste período em que o arroz ficou caro, é o açaí nas comunidades que vale o rango junto com o peixe.

A VELHA ESPECULAÇÃO

É preciso também frisar sobre o termo “bioeconomia”, que já nasceu capenga, porque você tira o sufixo “sócio” e tem uma grande e proposital negligência de semântica. Temos de lembrar que houve uma ressonância positiva do sufixo “bio” na expressão sociobiodiversidade, que já é um tema gravado pelas populações tradicionais e pelas políticas públicas. O Brasil vinha avançando nos últimos 15 anos com o uso do termo sociobiodiversidade. Isso não pode ser jogado na lata do lixo porque apareceu uma “coisa nova”, que é a bioeconomia. As palavras têm força. Por exemplo, desenvolvimento sustentável: “Vamos fazer desenvolvimento sustentável e isso vai salvar o mundo!” – não salvou. Neste momento chegam para dizer que agora é bioeconomia. Mas a tal bioeconomia é o cara fazer o Cadastro Ambiental Rural e oferecer no mercado da Bolsa de Valores e a comunidade não ser escutada sobre o que está acontecendo? É necessário fazer um confronto de ideias até com gente que julga ser grande defensora da floresta. Eu estou na linha de pensar que a bioeconomia chegou sem ser convidada: fala de ativos, fala de mercado especulativo. É desconfortável. Eu olho o orçamento geral da União e vejo a dívida pública comida pelos bancos privados em 40%. O mercado especulativo se apossou do Brasil. Você então vem com uma proposta “revolucionária” em que o mercado especulativo tem o espaço para ele? Isso não é mudança.

Não mudou nada, apenas acelerou, porque hoje é tudo acelerado; como diz o Mário Sérgio Cortella, essa é uma situação simultânea, global e veloz. E as estruturas das nossas políticas públicas de cidadania ainda estão num nível de persistência, paciência e resistência. Há um descompasso. A gente precisa não passar pano mais nas coisas. A bioeconomia é uma espécie de negociação com o capitalismo, tipo “topa colocar aqui um bio?”. Não adianta enrolar mais, mudar nome mas não mudar a forma, e a espécie humana levar o planeta para a cucuia…

CONVERSA INTERGERACIONAL

Não é à toa que surgem uma Greta Thunberg, uma Alice Pataxó ou uma Bianca Barbosa — jovem quilombola marajoara —, uma nova geração, que num salto evolutivo, vem dizer: “Vocês estão enrolando; nós estamos em risco mesmo; nós vamos morrer.” Essa geração entre 14 e 20 anos já está alertando, com uma maturidade impressionante. Só que essa geração impressionante que vem para os novos espaços precisa entender alguns conceitos e princípios que, por causa de sua tenra idade, não passaram pela experiência. Daí a importância da nossa geração de transição, de dar a mão para essa geração, mais forte, com mais vontade e mais atitude pública, para ajudá-la a entender como algumas coisas acontecem, porque também nós somos repassadores da história viva. Se eles aceitarem escutar a gente, vamos ter muita chance de reverter a destruição. A gente fala muito de luta de classes, mas a gente deveria olhar mais para os aspectos geracionais também. Um novo espaço diz muito sobre: eu quero ser veloz, mas quero estar incluído; eu quero ser simultâneo, mas quero estar incluído; eu quero ser global, mas quero estar incluído.

REDE DO AÇAÍ

Outro dia estava pensando na precariedade da uberização: o entregador está levando comida e está com fome. Ao contrário, aqui em casa, eu peço açaí pelo Whatsapp ou pelo aplicativo da lojinha do batedor de açaí, que tem seu próprio entregador. Você tem o circuito do açaí, que ainda é do povo, e ele precisa manter as relações próximas entre quem movimenta a economia. O Uber é um processo algoritmizado, no qual você não consegue ter relação com aquele que te contrata. Você vai reclamar para quem? Como você vai reivindicar o direito a EPI (equipamento de proteção individual) e a um adicional de periculosidade, se tudo está na nuvem? No caso do açaí, a relação entre o entregador e o batedor de açaí ainda é humana, digamos assim, e eu espero que isso não mude. Faço inclusive a defesa de que há alternativas de usar tecnologia e manter as relações. Assim: quem está na floresta manda um whatsapp para quem está no barco; quem está no barco pega o açaí e manda uma mensagem para quem está no porto; quem está no porto manda para o batedor; aí o batedor bate o açaí e manda mensagem para o entregador. Eu fiz o pedido ao batedor para o entregador trazer. Ou seja, apesar da tecnologia, eu mantive a relação humana do processo, uma situação em que ainda se pode reivindicar um melhor açaí para o batedor; em que o entregador pode reivindicar que lhe paguem melhor salário; o batedor pode reivindicar que diminua o custo do transporte desse atravessador; que se pode reivindicar que quem está na floresta possa manejar a floresta; e quem maneja a floresta pode reivindicar que não seja arrebentado por um preço ruim do atravessador. A cadeia do açaí ensina muito para a gente. As relações humanas precisam ser mantidas. É uma forma de resistência. O Papa Francisco diz que a gente não pode ser serva do dinheiro, o dinheiro tem de trabalhar para a gente. O algoritmo não pode ser nosso patrão, ele deve ser utilizado como ferramenta.

PRESTAR ATENÇÃO

Uma coisa que o pessoal do estuário faz muito é escutar rádio. Prestar atenção no que o outro está falando, se preparar para escutar, isso é uma cultura do rádio, muito presente na região do Marajó – que estimula sua mente a imaginar o outro falando, a imaginar as cenas, um exercício mental muito interessante. Um pacote de vídeo pronto deixa tudo mastigado, não precisa da sua imaginação. O áudio faz você montar desenhos e figuras na cabeça, prestar atenção. Uma coisa é eu falar que dá errado, mas a nova geração não quer “acreditar”, ela quer saber, ela quer experimentar. Como você comunica e cria as bases para, por exemplo, uma pessoa não pegar numa combóia, saber que se trata de uma cobra venenosa? Isso vale para o enfrentamento aos fascistas, porque passamos anos dizendo que essa cobra venenosa matava e há gente que não acredita nisso. Há um problema comunicacional, de resposta política, de cidadania, para que as pessoas percebam também que há o que perder. Imagine: um fator responsável por tudo o que estamos passando é o fundamentalismo religioso. Muitas pessoas foram seduzidas por ele porque não estavam encontrando ou recebendo nada do Estado e da política brasileira. “Deus vai resolver”, dizem; pensam a prosperidade a partir de Deus. A gente precisa profundamente analisar onde falhamos nesse quesito. O fundamentalismo foi avançando, avançando, e é a mesma coisa que esse presidente, que se sente impune, faz, cuja tendência é só radicalizar. Tudo isso até o momento em que tudo pode virar uma grande carnificina. Essa é a situação perigosa. Como o Brasil é muito grande, diz aquela frase de Conceição Evaristo: “é tempo de aquilombar-se”. Eu acredito que é possível que as comunidades amazônicas e os espaços dos quais faço parte, ativistas, socioambientalistas, possam se perceber assim. Precisamos nos proteger, fazer o debate coletivo (porque não se sabe mais o que é público e o que é privado, mas precisamos realmente entender o que é o coletivo). O coletivo é uma saída para a gente tentar resistir, proteger os fundamentos que ainda geram dignidade.

Notas:

1 https://mapbiomas.org/

2 Uma antena parabólica enfiada na lama é uma das imagens-símbolo do movimento cultural e musical Manguebeat, surgido em Pernambuco nos anos 1990, que combinava ritmos regionais tradicionais, como o maracatu e o coco, ao rock, hip hop e música eletrônica, com forte viés crítico à desigualdade brasileira. Chico Science, morto em 1997, foi o principal nome do movimento, junto da banda Nação Zumbi. Também integrantes do manguebeat: Mundo Livre S/A, Mestre Ambrósio, Sheik Tosado, entre outras.