O ex-funcionário da Funai, Ricardo Rao, se levantou e expulsou Marcelo Xavier de um evento; a ação direta do ex-colega de Bruno Pereira é, segundo Luh Ferreira, um exemplo para ativistas no Brasil de 2022

Amanheceu chovendo esta manhã.

Fiquei com preguiça de levantar, de ir pro treino, de fazer café…

Achei que poderia esperar um tempo na cama até o tempo abrir.

Abri o celular, no instagram, fui passando o feed, me entristeci profundamente por saber que o governador do Mato Grosso havia assinado o PL 561/2022, a lei anti-Pantanal, que pode mudar para sempre como as águas do bioma são protegidas. Já não bastasse o 22 x 02 na assembleia – isso mesmo 7×1 é pouca vergonha, foram 22 deputados estaduais votando contra a proteção do Pantanal —  tive hoje nesta manhã a certeza de que tudo vai mal. E que não conseguimos fazer nada para mudar.

 Segui em desânimo, segui passando o feed.

Quando vi uma cena:

 Um homem se levanta em um auditório. E começa a dizer em alto e bom som, de maneira dirigida, algo que a gente vêm gritando na internet, nos metrôs, nas feiras, nos almoços de família, na academia, no bar, no mercado, entre nós, claro… temendo a violência, sem querer arrumar confusão com gente que anda doida para atirar. 

 Desta vez alguém disse o que precisava ser dito para quem está há tempos, precisando ouvir:

 Este homem não pertence aqui, não é digno de estar entre os senhores. O Itamaraty é uma vergonha. O Itamaraty está sendo babá de miliciano. Marcelo Xavier é um miliciano. É responsável pela morte de Bruno Pereira e Dom Phillips! 

Miliciano! Vai embora! Vai pra fora!”

Ricardo Rao está exilado desde 2019 na Noruega e saiu da Funai durante o governo Bolsonaro por conta de perseguição política l Foto: Arquivo Pessoal

Ahhh, como eu ando querendo mandar gente embora dos lugares! Sobretudo do Brasélllllll!!!!

O homem que me refiro é o indigenista e ex-funcionário da Funai, Renato Rao. O levante aconteceu durante o evento da Assembleia Geral do Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e do Caribe (Filac) em Madri, na Espanha. Rao corajosamente, dirigiu-se ao atual presidente da Funai (cujo nome não vamos mencionar pois dá azar), e fez com que ele se retirasse da reunião.

Oras, mas depois dessa eu me levantei na hora da cama!

Depois dessa ação direta, me animei a seguir o dia, mas também em escrever, em falar com as pessoas e saber mais sobre o caso Brasil, vai que um levante estava rolando e eu estava ainda na cama cansada?

Sim, me refiro ao caso Brasil, pois todos os dias acontece algo que muda, mas na real não muda nada. né?

É fucking meeting with diplomatas para anunciar que vai dar golpe — até porque não tem prova de nada. É convocação de irmão de petista assassinado para expôr ao mundo a sua estratégia de divisão familiar. É cada uma pior do que a outra.

Tudo isso rolando e a gente aqui com esse maldito clima de ESTÁ TUDO NORMAL como diria nosso querido André Dahmer: 

Chega de normalizar as imbecilidades!

Basta de normalizar a violência – Toda solidariedade às famílias do Complexo do Alemão!

Isso tudo não é normal, levantemos como fez Rao e expulsemos de nossa casa, de nosso convívio e principalmente desta presidência aquele que vocês sabem muito bem quem.